No capítulo "Filmes Jeitosos Que Mereciam Mais Atenção, Mas Aos Quais Ninguém Liga Pevas", surge um pequeno filme de 1990, intitulado Short Time, com o título português O Polícia Suicida... por isso vamos ficar-nos pelo título original, pode ser?
Short Time centra-se em Burt Simpson (Dabney Coleman), um policía calculista à beira da reforma, que não gosta de arriscar demasiado. Burt tem tudo calculado: as suas poupanças, a sua reforma, a ida do seu filho para Harvard. Burt não arrisca a sua vida nem a do seu colega Matt (Ernie Dills) na perseguição de um criminoso. Isto até ao dia em que, devido a uma troca de amostras de sangue para análise, Burt descobre que tem uma doença terminal e que tem poucos dias de vida. Preocupado sobretudo com o futuro da mulher e do filho, Burt acha que a única esperança para a família é o dinheiro do seguro de vida enquanto Polícia. No entanto, para que esse dinheiro seja pago, Burt tem de morrer em serviço e claro que o suicido (explícito) está fora de questão. O homem que era então cioso da sua segurança, passa então a agir de forma intrépida e impulsiva na perseguição e captura de criminosos de modo a falecer em serviço.
Realizado por Gregg Champion (quem?), actualmente mais dedicado às produções televisivas, o filme é uma interessante comédia negra ("Infelizmente Burt... isto não é cancro.") que leva o mote "vive cada dia como se fosse o último" à letra. Embora falhe como comédia, pois só aqui e ali se encontram cenas verdadeiramente divertidas, a mensagem de Short Time consegue ser transmitida de forma relativamente eficaz, ou seja, não devemos viver a vida de forma demasiado comodista e calculada, também há que arriscar um bocado.
Com um elenco modesto, o nome que mais se destaca é o de Joe Pantoliano, com um pequeno cameo, se bem que na sua maior parte os actores conseguem dar conta do trabalho, tirando talvez o vilão principal, interpretado por Xander Berkeley (quem?) que aqui aparece como uma caricatura do mau da fita clássico de comédias chunga, demasiado apatetado. Há a destacar também a perseguição de carro que, sem parecer exagerado, é uma das melhores jamais postas num filme e o facto de conseguirem inventar uma doença auto-imune (Cortina de Wexler) e explicarem-na de forma tão convincente que podia muito bem ser real.
Short Time é um filme que está longe de ser uma obra-prima, mas que é eficaz e é daquelas peliculas obscuras que mereciam um pouco mais de reconhecimento. Quando puderem, dêem-lhe uma oportunidade.


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