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sábado, 14 de setembro de 2013

Pérolas Escondidas - Short Time (1990)


No capítulo "Filmes Jeitosos Que Mereciam Mais Atenção, Mas Aos Quais Ninguém Liga Pevas", surge um pequeno filme de 1990, intitulado Short Time, com o título português O Polícia Suicida... por isso vamos ficar-nos pelo título original, pode ser?

Short Time centra-se em Burt Simpson (Dabney Coleman), um policía calculista à beira da reforma, que não gosta de arriscar demasiado. Burt tem tudo calculado: as suas poupanças, a sua reforma, a ida do seu filho para Harvard. Burt não arrisca a sua vida nem a do seu colega Matt (Ernie Dills) na perseguição de um criminoso. Isto até ao dia em que, devido a uma troca de amostras de sangue para análise, Burt descobre que tem uma doença terminal e que tem poucos dias de vida. Preocupado sobretudo com o futuro da mulher e do filho, Burt acha que a única esperança para a família é o dinheiro do seguro de vida enquanto Polícia. No entanto, para que esse dinheiro seja pago, Burt tem de morrer em serviço e claro que o suicido (explícito) está fora de questão. O homem que era então cioso da sua segurança, passa então a agir de forma intrépida e impulsiva na perseguição e captura de criminosos de modo a falecer em serviço.



Realizado por Gregg Champion (quem?), actualmente mais dedicado às produções televisivas, o filme é uma interessante comédia negra ("Infelizmente Burt... isto não é cancro.") que leva o mote "vive cada dia como se fosse o último" à letra. Embora falhe como comédia, pois só aqui e ali se encontram cenas verdadeiramente divertidas, a mensagem de Short Time consegue ser transmitida de forma relativamente eficaz, ou seja, não devemos viver a vida de forma demasiado comodista e calculada, também há que arriscar um bocado.

Com um elenco modesto, o nome que mais se destaca é o de Joe Pantoliano, com um pequeno cameo, se bem que na sua maior parte os actores conseguem dar conta do trabalho, tirando talvez o vilão principal, interpretado por Xander Berkeley (quem?) que aqui aparece como uma caricatura do mau da fita clássico de comédias chunga, demasiado apatetado. Há a destacar também a perseguição de carro que, sem parecer exagerado, é uma das melhores jamais postas num filme e o facto de conseguirem inventar uma doença auto-imune (Cortina de Wexler) e explicarem-na de forma tão convincente que podia muito bem ser real.



Short Time é um filme que está longe de ser uma obra-prima, mas que é eficaz e é daquelas peliculas obscuras que mereciam um pouco mais de reconhecimento. Quando puderem, dêem-lhe uma oportunidade.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mestres da Ilusão (2013)


T.O.: Now You See Me

Eis que de vez em quando surge um filme de que ninguém está à espera e se torna um sucesso de audiências. Mestres da Ilusão (Now You See Me) é disso um exemplo.
O realizador francês Louis Leterrier, responsável por uma mão cheia de filmes, entre os quais se destaca Danny the Dog - Força Destruidora, a sua primeira direcção, toma as rédeas nesta película sobre ilusionismo e algo mais. Mas será este filme merecedor de toda a atenção que tem recebido?

O argumento desenvolve-se à volta de quatro personagens ligados ao mundo do ilusionismo ou mentalismo (ou charlatonismo) que, por obra do destino (por destino, entenda-se um personagem misterioso) são reunidos para uma missão que envolve algo maior. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Henley Reeves (Isla Fisher), Merritt McKinney (Woody Harrelson) e Jack Wilder (Dave Franco) recebem cada um uma carta de Tarot com instruções (que aparentemente são simples o suficiente para mágicos decifrarem e não questionarem o porquê de alguém desconhecido os convocar) para um ponto de encontro comum. Lá encontram uma planta de esquemas de ilusionismo em CGI que lhes vai servir para planear um conjunto de 3 truques que irão demorar um ano a preparar. Assim nascem os Quatro Cavaleiros.

Depois de um primeiro espectáculo que envolve o assalto de um banco francês sem deixarem Las Vegas, os Quatro Cavaleiros são alvo do FBI e é aqui que entra Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) a que se junta uma agente francesa (Mélanie Laurent). O elenco conta também com Morgan Freeman, no papel de Thaddeus Bradley, um ex-ilusionista que se dedica agora a arruinar carreiras, desmascarando truques na televisão e Michael Cane que aqui encorpora Arthur Tressler, patrocinador principal dos ilusionistas.

O filme está por si só um bom produto de entretenimento. É fácil de ver, com um elenco sólido (à excepção talvez de Dave Franco) e com uma história complexa mas suficientemente vistosa para manter o espectador interessado a que se junta um bom ritmo. No entanto, é precisamente no argumento complexo que reside a sua maior fraqueza. Enquanto que incialmente o espectador é atraido pela fluidez e magia no ecrã, depressa a história se torna demasiado "enrolada" e cheia de conveniências que retiram a credibilidade. Mesmo após a explicação da primeira ilusão, ainda ficam algumas pontas soltas. A partir daqui, começam os truques impossíveis e a impressão que roubar dinheiro envolto em medidas de alta segurança é canja! Mesmo o final surpreendente é algo que desilude. Pelo meio vão aparecendo alguns clichés (o romace inevitável entre os dois agentes) e uma referência de louvar aos anos de maluquice do Warren Beatty!

Mestres da Ilusão é um filme interessante mas que se perde nos seus próprios truques. Ainda assim não deixa de ser uma boa película para apreciar em conjunto com o kit de magia ao lado! E já vem uma sequela a caminho.



- André Mesquita