Se fossem pessoas decentes e viessem ao blog todos os dias este conceito mudar-vos-iria a vida. Enfim.
O Oscar de melhor título do ano vai para "In Moonlight Black Boys Look Blue".
Três porções da vida de Chiron são apresentadas por actores de idades diferentes num registo próximo e documental. Little é a alcunha de um rapaz negro e enfezado de 9 anos. Perseguido pelas outras crianças e negligenciado pela mãe que tenta esconder uma adição a crack minimamente comum nos bairros necessitados é encontrado por Juan, um traficante da zona que juntamente com a namorada, Teresa, ganham alguma responsabilidade pela criança.
A casa de Teresa tornou-se um ponto de refúgio para Chiron com 16 anos. No segundo segmento sofre a mesma repressão, desta vez no colégio. Afasta-se várias vezes da própria casa perante os abusos da mãe e vive cada vez mais preso dentro de si próprio. A sua primeira experiência homossexual deixa-o confuso e apático, levantando nele ainda mais uma sensação de irregularidade.
Com 30 anos, Black é um traficante em Atlanta. Apático e metódico, caminha nos passos de Juan pela importância, mesmo que passageira, que ele teve na sua vida. Recebe chamadas constantes da sua mãe, pedindo que a vá visitar. Quando recebe uma chamada do rapaz do seu passado regressa à Miami onde cresceu, criando agora ele, o desconforto de ser alguém totalmente diferente.
Apesar do título usar uma só palavra, a metáfora veicula todas as ideias do filme. Afirma temas seculares de preconceito e identidade sexual colocados num contexto que permite uma observação reformada mas real. E singularmente bela.




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