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sábado, 22 de outubro de 2016

Swiss Army Man - Poesia com Bufas


Para começar: esqueçam  Harry Potter... Prontos! Agora que isto está despachado, vamos ao que interessa!

Swiss Army Man, vencedor do prémio de melhor realização do festival de Sundance de 2016, é um filme diferente. Muito diferente. É divertido, é nojento, é negro, é perverso. É, no entanto, um dos filmes mais brilhantes dos últimos tempos.
A primeira longa metragem de Dan Kwan e Daniel Scheinert (quem?) apresenta-nos Hank (Paul Dano), um homem isolado numa ilha deserta, à beira de desistir e cometer suicídio. Quando está prestes a concretizar a auto-execução, dá à costa um corpo (Daniel Radcliffe). Após uma examinação, Hank conclui, com um flato largado pelo cadáver, que o jovem está mesmo morto. Desiludido, Hank regressa à sua ideia original de pôr termo à vida, mas não sem antes se aperceber que o corpo se consegue auto-impulsionar na água com a força dos gases (sim, o que acabaram de ler!). Hank monta-se no corpo e consegue sair da ilha e regressar à civilização, ou pelo menos perto dela. Depois de descobrir que o cadáver afinal fala e se chama Manny, Hank usa-o como um multi-ferramentas para regressar a casa.


Piadas sobre gases, erecções, pensamentos incestuosos, mamas e suicídio... Tudo isto faz parte de Swiss Army Man e funciona que é um mimo. No entanto, muito para além do divertimento, este filme é profundamente simbólico. Inicialmente Hank é uma pessoa isolada, sem ninguém que o ame ou que se importe com ele (pelo menos na sua opinião). Hank é a ilha deserta. Manny, por sua vez é inocente e ingénuo, não percebendo por exemplo, porque é que as pessoas não largam gases em público ou porque é que começa a ter uma erecção quando vê a imagem de uma mulher atraente. Hank é mais racional, Manny é mais impulsivo. Isto tem conotações fortes com os vários níveis de consciência. O cadáver pode ser entendido como o id (olá, psicologia!) de Hank, revelando os instintos básicos e falando livremente tudo o que o jovem tem medo de dizer ou de assumir. Quando Manny se lembra finalmente do nome da mulher por quem Hank está apaixonado, mesmo sem nunca a ter conhecido, significa que o mesmo se encontra enterrado no subconsciente de Hank, que o terá ouvido em alguma ocasião, mas não consegue subir à superfície da memória.


Há medida que o filme avança, a personagem de Paul Dano vai evoluindo e vai aprendendo a aceitar-se a si próprio. Quando no inicio é Hank que tem de transportar o corpo imóvel de Manny, pelo final do filme já estamos a assistir ao contrário. Hank aprende a fazer as pazes com o seu id, com os seus instintos e defeitos e o apogeu acontece quando Paul Dano e Daniel Radcliffe se beijam (no homo!) numa cena subaquática, saindo impulsionados da água pelas bufas de Manny (maybe homo!)!

Existem poucos filmes tão originais como Swiss Army Man e também como a sua banda sonora. Constituída quase exclusivamente de canções cantadas por Paul Dano e Daniel Radcliffe, a soundtrack contêm uma versão curta, mas deliciosa do clássico chunga "Cotton Eyed Joe", dos Rednex!

O filme conta também com Mary Elizabeth Winstead no papel do interesse amoroso de Hank.

sábado, 1 de março de 2014

Dallas Buyers Club - Quando a força de viver é maior que o preconceito


O clube de Dallas ou em original Dallas Buyers Club é inspirado na história verídica de um texano que viveu em Dallas durante os anos 70 e 80. Ron Woodroff é diagnosticado com HIV recebe a notícia de que teria apenas mais 30 dias de vida. Contrariando todas as probabilidades Ron acaba com todos os vícios  que o "envenenam" e tenta todas as poucas drogas que existem para melhorar a sua condição. Perante a toxicidade do medicamento distribuído, AZT, e a falta de  variedade destes para os vários efeitos a longo prazo do Vírus Ron faz contrabando de novos medicamentos em processo experimental de países como méxico, Japão e Amesterdão criando o "Clube de Compradores de Dallas".
 Aqui, em troca duma comissão mensal todos os membros tinham acesso ilimitado aos medicamentos que desejassem. Gerindo um local com um transformista, Rayon, que mais tarde se revelou como um grande amigo e vendendo muitos dos medicamentos a homossexuais Ron, um tradicionalista, conservador e homofóbico acaba por criar laços com estas pessoas, quando mais ninguém acredita nelas. Após inúmeras tentativas do governo e da FDA para terminar com o clube, Ron Woodroff envolve-se numa batalha jurídica pela melhor administração de medicamentos a seropositivos e carrega as esperanças daqueles que não tinham forças tornando-se um mártir pela própria causa.